Sempre me considerei uma pessoa extremamente nostálgica (e minha psicóloga concorda comigo nessa), então virou uma rotina precisar focar no presente e no futuro, e não tanto no passado, pois se deixar, eu fico eternamente pensando em tudo que já me aconteceu, em todos os lugares que morei, todos amigos que já fiz, pessoas que me relacionei, etc etc etc. Dito isso, mesmo assim, sinto que parte de mim vive com esses lugares e pessoas ainda (uma pequena parte), como se esses fatos ainda fizessem parte da minha vida atual - e na verdade acredito que fazem, né? Ainda acredito que uma junção de acontecimentos e de lugares são que definem grande parte da nossa personalidade, e que isso muda de tempos em tempos.
Entrei nesse questionamento depois de vir passar o natal em Dublin, come meus amigos. E é muito curioso o tanto de carinho que eu tenho com esse lugar, dado que foi um lugar que me viu passar por muitos processos bem complexos. Passei pelo bairro que morei por 3 anos, pelas ruas que eu andava, lugares que eu frequentava e por muitas memórias de outros contextos da minha vida. E aí ela bate, a minha amiga nostalgia. É um misto de saudade, mas ao mesmo tempo de saber que deixar aquilo tudo foi a minha melhor decisão, o que mais fez sentido. Porém que isso não anula de que foi um período gostoso também, onde eu vivi muitas coisas boas.
Ao mesmo tempo, foi bom ver que a energia segue circulando e que as coisas mudam, a vida anda sempre pra frente. Presenciar vitórias dos meus amigos, poder viver um pouquinho na realidade deles e sentir que, mesmo longe, os laços seguem fortes. E depois de perceber isso, eu vejo que eu não preciso querer ter tudo sempre, pois eu meio que ainda tenho. Eu posso visitar os lugares que são importantes pra mim, posso manter meus amigos, posso relembrar o que já vivi. E isso tudo realmente vai viver sempre na minha cabeça, as vezes de maneira mais leve, talvez as vezes mais intenso.
A conclusão é que parece que a gente deixa um pedacinho da gente nesses lugares, com essas pessoas (as que permanecem na nossa vida e as que vão embora também), com essas memórias. Mas não só isso, e igualmente importante: Elas também deixam um pedacinho comigo. E no fim, é isso que deixa um quentinho no peito e que me faz pensar que ter e não ter tudo ao mesmo tempo tá tudo bem. E isso faz sentido, e ao mesmo tempo não faz. Mas faz.
Lily Allen @ West End Girl

