Eventually

Um dos maiores desafios que sinto que tenho na vida é o de não poder ter tudo ao mesmo tempo. Quando falo isso, não me refiro a bens materiais, mas sim sobre lugares e pessoas. 

Sempre me considerei uma pessoa extremamente nostálgica (e minha psicóloga concorda comigo nessa), então virou uma rotina precisar focar no presente e no futuro, e não tanto no passado, pois se deixar, eu fico eternamente pensando em tudo que já me aconteceu, em todos os lugares que morei, todos amigos que já fiz, pessoas que me relacionei, etc etc etc. Dito isso, mesmo assim, sinto que parte de mim vive com esses lugares e pessoas ainda (uma pequena parte), como se esses fatos ainda fizessem parte da minha vida atual - e na verdade acredito que fazem, né? Ainda acredito que uma junção de acontecimentos e de lugares são que definem grande parte da nossa personalidade, e que isso muda de tempos em tempos.

Entrei nesse questionamento depois de vir passar o natal em Dublin, come meus amigos. E é muito curioso o tanto de carinho que eu tenho com esse lugar, dado que foi um lugar que me viu passar por muitos processos bem complexos. Passei pelo bairro que morei por 3 anos, pelas ruas que eu andava, lugares que eu frequentava e por muitas memórias de outros contextos da minha vida. E aí ela bate, a minha amiga nostalgia. É um misto de saudade, mas ao mesmo tempo de saber que deixar aquilo tudo foi a minha melhor decisão, o que mais fez sentido. Porém que isso não anula de que foi um período gostoso também, onde eu vivi muitas coisas boas. 

Ao mesmo tempo, foi bom ver que a energia segue circulando e que as coisas mudam, a vida anda sempre pra frente. Presenciar vitórias dos meus amigos, poder viver um pouquinho na realidade deles e sentir que, mesmo longe, os laços seguem fortes. E depois de perceber isso, eu vejo que eu não preciso querer ter tudo sempre, pois eu meio que ainda tenho. Eu posso visitar os lugares que são importantes pra mim, posso manter meus amigos, posso relembrar o que já vivi. E isso tudo realmente vai viver sempre na minha cabeça, as vezes de maneira mais leve, talvez as vezes mais intenso.

A conclusão é que parece que a gente deixa um pedacinho da gente nesses lugares, com essas pessoas (as que permanecem na nossa vida e as que vão embora também), com essas memórias. Mas não só isso, e igualmente importante: Elas também deixam um pedacinho comigo. E no fim, é isso que deixa um quentinho no peito e que me faz pensar que ter e não ter tudo ao mesmo tempo tá tudo bem. E isso faz sentido, e ao mesmo tempo não faz. Mas faz.


Lily Allen @ West End  Girl  

The Fools Who Dream

Quinta-feira tive minha última terapia do ano, e pra ela minha psicóloga tinha me dado um dever de casa: pensar em como foi o meu 2024. Engraçado que mais nova eu sempre fazia uma retrospectiva mental todo fim de ano e escrevia sobre. Em um certo ponto da vida acho que eu só não tive mais tempo pra lembrar de fazer isso - ou só perdi o interesse mesmo. Enfim.

O ponto é que quando parei pra pensar nos últimos 12 meses, lembrei de uma “wishboard” (não sei que termo usar pra isso?) que fiz em dezembro do ano passado, onde juntei imagens do que eu queria pro meu próximo ano. E lembro que ao fazer isso foi quando me toquei de quanto tempo fazia que eu não sonhava com algo, não traçava metas sobre sonhos. Mas voltando ao board, depois de quase 1 ano abri e percebi de cara que 95% do que eu coloquei ali - do que eu sonhei - aconteceu mesmo. E aconteceu com muito planejamento, esforço, dias de ansiedade, dias de estresse… mas com muita vontade também.

Eu lembro da sessão de terapia com a minha psicóloga onde ela literalmente me disse que eu não precisava passar por tudo que eu achava que precisava passar, que o meu plano podia mudar sim. E do quanto a partir dessa virada de chave tudo deu MUITO certo, tudo só fluiu. Que loucura.

Passei por milhares de burocracias, coisas que não deram certo de primeira, mas que mesmo assim dera certo. Com elas, também vieram alguns encerramentos de ciclo. Casa, bairro, país, trabalho. E surpreendentemente contei com a sorte de esbarrar com pessoas que ajudaram e muito nesse turbilhão de pontos.

E aí vem a calmaria: um bom começo, como diria a minha tatuagem. Novas realidades, um alivio de ter resolvido tudo, a tranquilidade e a paz de viver exatamente o que eu queria viver e que tinha tanto medo de expor lá em Fevereiro. E ter alguém caminhando do meu lado e sentindo a mesma coisa. E nesse ponto eu falo pra Manu do início de 2023 que tomou decisões morrendo de medo do que ia ser: deu mais certo do que você imaginava. Tudo que você tinha medo de dar errado? Não deu.

E eu sei que a vida não sempre assim, que às vezes os planos saem diferentes do que a gente pensa e que existem sim situacões difíceis que acontecem do nada. Mas dessa vez não podia ter sido mais incrível do que foi. As coisas só tinham que ser assim.


Vou fazer mais uma wishboard pro ano que vem, mas que seja o que tiver que ser. E eu sei que vai ser incrível aproveitando tudo o que eu conquistei e planejando próximos passos ✨

Roda mundo, roda-gigante

Eu ja falei muito sobre encerramento de ciclos aqui. Acredito que, mesmo sem perceber, eu sempre dei muita importância pra quando coisas começam, quando acabam, quando mudam bruscamente e por aí vai.

Hoje vou falar de mais uma: a sensação de casa. 

Oficialmente me mudei em Abril, porém foi corrido (e quando mudanças não são corridas comigo?), levei 80% das minhas coisas e etc. Então não sentia que tinha mudado 100%. Em Julho voltei e peguei mais uma mala de coisas e resolvi algumas pendências/ burocracias. Agora cá estou eu pra pegar o resto do que ficou: alguns livros, cds e afins. E desde ontem quando estava vindo do aeroporto me bateu um aperto no peito e um estranho - porém já conhecido - sentimento de despedida e nostalgia. 

Eu vivi TANTA coisa nesse lugar, tantos acontecimentos importantes, tantos momentos bons e ruins. Contudo, o mais curioso é: por mais que eu esteja nostálgica e e me despedindo do que sinto ser um final de ciclo completo, ao mesmo tempo também sinto como se isso já não coubesse na minha atual história, algo que não me pertence mais há algum tempo - e no fim das contas é isso mesmo.

Eu olho pro apartamento 27, pro “meu” quarto e tudo continua familiar, porém não me cabe mais, assim como uma roupa que deixou de caber no nosso corpo.  Vou seguir carregando as memórias desse lugar comigo, mas ao mesmo tempo o curioso é que eu não me dei conta de que já tinha começado a me despedir dele durante esse processo dos últimos meses. 

Vou sentir saudades e nostalgia pois esse é um dos traços mais profundos da minha personalidade, mas vou embora tranquila sabendo que eu escolhi por essa mudança (e obviamente aqui não falo somente sobre casas em que moramos) e que isso foi exatamente o que eu queria/precisava/sonhava.

Seguimos.


Billie Eilish @ Blue


A Rush of Blood to the Head

2023. No último dia desse ano, me perguntaram o que eu desejo pra 2024 - ou se eu desejo algo. E eu não tinha reparado que nos últimos anos eu tinha parado de desejar. Sempre fui a pessoa que via uma esperança enorme em novos anos, que sonhava muito e que tinha inúmeras expectativas. E lentamente acho que fui perdendo esse brilho - e me perdendo um pouco também nesse caminho.

O ano que acaba em algumas horas foi, sem sombra nenhuma de duvidas, o mais desafiador que eu já tive. Contudo, foi o mais maduro e realista também, onde eu fui realista principalmente com quem mais importa: eu mesma. Nesse tempo eu chorei de desespero incontáveis vezes, por incontáveis motivos. Eu me senti bem com as minhas decisões, mas elas me custaram alguns muitos dias de um falso desamparo, uma falsa sensação de não ter mais um chão firme pra pisar e me apoiar.

Falo em falsas sensações pois além de ter muita gente que eu sei que seria amparo se eu precisasse, eu tenho a mim mesma também. E eu fui capaz de tanto, sabe? E eu sei que não andei sozinha, mas eu consegui tanto por mim mesma. Não foi perfeito, não foi sem lágrimas, mas foi meu e fui eu que realizei. 

Nesses 365 dias, eu estreitei laços, inevitavelmente afrouxei outros e construi novos. E eu me reconheci nesse caminho torto e nada linear, com e sem essas pessoas. Defini algumas prioridades e isso me segurou na grande maioria dos dias difíceis. E no meio desse capítulo, percebendo e não percebendo, eu voltei a sonhar.

Hoje quando me perguntaram sobre desejos pra 2024 eu me dei conta de quantos sonhos novos eu criei pros próximos 365 dias. Sonhos só meus, em conjunto, de coisas banais e de outras bem mais significativas. E eu só quero ir atrás deles, do jeito que der, no tempo que der. Uns sem pressa, outros com urgência, mas sabendo que no fim das contas tudo vai seguir o melhor caminho como sempre. 


Que seja leve, que seja gostoso. 


Coldplay @ A Rush of Blood to the Head.

Christmas lights

Some beginnings start so quietly you don't even notice they're happening. 
Quem diria que assistir Gossip Girl pela milésima vez me traria algo pra refletir.

Dezembro sempre foi um mês feito de encerramentos e início de ciclos pra mim, e também sempre foi um mês naturalmente pesado. Seja por ser o último mês do ano e trazer consigo a responsabilidade de encerrar algo, ou por também ser um momento de reunião de família - o que na minha nem sempre era algo necessariamente bom. Seja como for, esse último suspiro do ano (que dramático) me deixa reflexiva desde que me entendo como gente. 

Contudo, o curioso aqui é que ao mesmo tempo que meu último dezembro me trás lembranças difíceis, de uma semana onde a minha cabeça explodiu com tudo que eu ignorava nos últimos anos e que foi algo que virou a minha vida de cabeça pra baixo, também me trás exatamente a frase com que comecei esse texto. 

Pequenas decisões, pequenos acasos que acontecem e que naquele exato momento ninguém nunca diria que seriam algo mais que aquilo. Uma conversa de 20 minutos, uma troca de risadas leves. Uma noite gostosa e despretenciosa, uma dança de forró. Tem quase 1 ano que eu repito pra mim mesma o quanto que me choca de como as vezes certos momentos acontecem tão por acaso e se transformam em algo enorme. 

No meu último texto, mencionei que existem certas situações importantes que nós nos tocamos de que são importantes no próprio momento em que elas acontecem. E a memória desse texto aqui é exatamente o oposto. Quando eu imaginaria que eu ter decidido ir sozinha num pub crawl de natal me traria uma das pessoas mais importantes que já cruzou o meu caminho? E se eu não tivesse ido - dado que eu quase não fui mesmo? E se no dia seguinte eu não tivesse sido tão eu mesma e escolhido me deixar livre? Aqui eu já entro em outro ponto, que é o que eu chamo de destino. Coisas que eram pra ser. 

Não sou muito de pensar que nós temos o destino escrito e que tudo é previsto a acontecer de uma determinada forma, porém é difícil não seguir essa vertente quando tantas coisas que poderiam só não ter acontecido, ou poderiam tomar um outro rumo, aconteceram exatamente da forma que deveriam - e que causaram algo tão inesperado e incrível.

Certamente nesse tal início imperceptível ninguém se deu conta do que estava por vir, mas hoje é delicioso pensar que outro oposto também acontece: tudo que tem acontecido é tão claro e perceptível que em tempo real é possível sentir o tamanho da importância que essa história tem tomado. E de jeito nenhum digo que ela é perfeita, pois não é. Nada é e eu sei disso. Entretanto, mesmo com algumas eventuais tempestades, as mesmas tem servido pra criar laços ainda mais significativos, para fazer medos antigos perderem a força e trazer a parte leve de sonhar junto. De ter expectativas, planos - e disso poder ser compartilhado da forma mais leve e gostosa possível. 

Seguir escrevendo esse destino com alguém incrível, mas acima de tudo, tão humano e que leva a vida de um jeito bem próximo do meu, tem sido um dos capítulos mais loucos e incríveis que eu já escrevi. E hoje eu só quero que venham cada vez mais.


Lily Allen @ Who'd Have Known

In Rainbows

Tem momentos que a gente não percebe o quanto vão ser significantes até se passar um grande espaço de tempo. Outros depois de um tempo não muito grande, outros que a gente nem se toca que significam algo na verdade. Mas existem os momentos que no exato segundo em que estão acontecendo já sabemos que serão muito importantes. Às vezes são grandes acontecimentos, contudo, pra mim, os que mais mexem comigo são aquelas situações que são tão simples, mas que tem muitas coisas por trás. 
A que quero guardar  em palavras é uma delas.

Não lembro o que jantamos, mas lembro que antes do jantar você lembrou que eu nunca tinha visto a apresentação do In Rainbows - From the basement, do Radiohead. Fiquei assistindo, tomando um vinho e brincando com o gato, enquanto você fazia o jantar. Sei que pouco depois da gente terminar de comer, eu sentei no sofá, você deitou no meu colo e continuamos a assistir o Radiohead tocando o mesmo álbum que eu tenho escrito no pulso - o mesmo que você tinha notado meses antes. E ficamos assim, sem precisar dizer nada, eu entrelaçando os dedos no seu cabelo, acompanhando cada cacho, você desenhando caminhos na minha perna com a ponta dos dedos. 

Um tempo depois, quase no fim da apresentação, vi sua mão descansando na minha perna e notei que você tinha pegado no sono. Pensei em te acordar pra irmos pra cama dormir, mas você estava tão sereno dormindo, tão tranquilo, com um mini sorriso nos lábios. Só continuei te olhando, mexendo no seu cabelo e quase degustando aquele momento - que ali mesmo notei o quanto era importante pra mim, por mais banal que fosse. Enquanto eu vivia aquilo e te olhava dormindo no meu colo, percebi o quão natural era essa situação entre a gente. Veja bem, eu sou uma pessoa cética que não acredita em religiões e afins, mas ali só pensei que o que eu tava sentindo parecia um sentimento de muitos anos. A minha impressão era de que a gente já tinha passado por momentos como aquele infinitas vezes, que aquela era uma rotina gostosa que nós já vivíamos há muito tempo. Ali eu percebi o óbvio: Eu já conseguia ver um futuro tão a longo prazo, e via tão claramente, como se na realidade fosse uma memória e não uma projeção. 

Curioso que hoje penso na loucura que é ter um sentimento assim com uma relação tão recente até aquele momento, mas que ao mesmo tempo é algo que até então eu nunca tinha sentido em nenhuma outra. E eu sei o quanto é clichê falar isso, que nunca se viveu algo como aquilo antes e etc, mas a verdade é que eu sempre tive dificuldade em me ver a longo prazo com alguém no sentido de conseguir vislumbrar como seria depois de uns anos, se viveríamos juntos, se aquilo teria futuro. Em todas as relações foi assim, menos nessa. Pra mim foi um choque quando me peguei vendo isso sem querer, sem intenção, naquele momento vendo você dormir. E eu sorri, pensando que não era possível a essa altura da vida me sentir feliz daquele jeito (desse jeito). Com muita certeza de que a gente viveria - e vai viver - tantos momentos ainda, bons, ruins, simples, importantes. Juntos.

Momentos pequenos, mas que são grandes demais e que definitivamente precisam ser lembrados.


Radiohead @ Last Flowers


Enjoy the ride

Não sei muito bem como começar esse post, só sei que tem alguns dias que eu senti vontade de colocar algumas coisas pra fora. Os últimos meses tem sido intensos, tenho tido altos e baixos bem expressivos. Posso começar pelos altos, que, no meu ponto de vista, tem sido maiores e mais frequentes que os baixos.

Mesmo sabendo de pontos que preciso resolver pra aí sim poder respirar tranquilamente em 100% do tempo, tem sido tão gostoso viver. A palavra é exatamente essa, gostoso, como se fosse um doce. Me lembra uma frase de música: "Um doce descascado pra mim, eu guardo pro fim, pra comer demorado". Acho que pela primeira vez na vida eu to vivendo as coisas com calma, tentando não apressar nada, não pressionando nada, só literalmente curtindo cada momento e cada detalhe. Nem sempre isso acontece, mas no geral acredito que tem sido tranquilo e suave. 

O processo de conhecer outra pessoa, os seus hábitos, gostos, manias, jeitos, histórias e se identificar com muitas coisas é algo que eu não lembrava que gostava tanto. Se apaixonar por completo por alguém é gostoso demais e eu não consigo (e nem quero) naturalizar isso. Sei que já escrevi isso aqui e que já repeti milhões de vezes pra mim mesma, mas é surreal demais pensar em como as coisas acontecem sem a gente prever ou premeditar. Nem em um milhão de anos eu chutaria que conheceria alguém tão incrível por acaso e que tudo bateria do jeito que bateu. Que tudo encaixaria do jeito que encaixou. Nesse ponto é meio inevitável não criar mil cenários futuros na cabeça, onde todos me arrancam um sorriso bobo no rosto. 

Eu sempre tive minhas inseguranças (internas e externas), então ainda me ver como alguém que pode ser interessante pra outras pessoas é algo diferente - e é um diferente muito bom. E nisso falo sobre aspectos de amizades e românticos. Tem sido trabalhoso e ao mesmo tempo incrível me redescobrir em vários pontos que eu não pensava sobre há muitos anos. 

Como disse antes, também aconteceram baixos. Lidar com frustrações nunca foi o meu forte (na verdade parando pra pensar, é o forte de alguém?), mas elas tem sido pesadas de passar e não tenho como negar isso. Tem dias que me bate um desespero, que acontecem pensamentos intrusos de que tudo vai dar errado. Porém a realidade é que tudo é um processo, como eu já falei antes também. E esse tem sido um, que eventualmente vai sim passar. Volto a dizer que mesmo com esses dias mais difíceis não teve 1 segundo em que eu me arrependesse das decisões e escolhas que eu fiz esse ano. 

Depois de ter escrito esses parágrafos, acho que queria não só registrar esses momentos, mas também dizer pro meu eu do futuro que sim, tudo vai ficar bem. Mesmo que tenham dias mais difíceis que outros de acreditar nisso, você vai se virar e tudo vai se ajeitar. E daqui uns meses quando você do futuro vier ler isso, vai dar um sorriso e respirar tranquila, sabendo que esse processo passou. E que você sobreviveu, está bem e seguiu com a sua vida. Já deu certo.


Taylor Swift @ Lover

I'm in here

Engraçado como a gente só se dá conta de processos quando terminamos de passar por eles. Eu passei por tantos no último ano (nos últimos 4 meses?), seguidos, algumas vezes simultâneos, e em algum momento até consegui ver alguns enquanto eles aconteciam. Por exemplo, estava no metrô, indo pra Tottenham court street, e começou a tocar no meu fone uma música que eu ouvi em looping em janeiro, num dos piores dias que tive nos últimos anos (sim, aquela da Shakira). E aí agora, um pouco mais de 2 meses depois, escutei quase dando um abraço em mim mesma, dizendo (se pudesse) que iria ficar tudo bem sim - embora eu não possa afirmar 100% disso ainda. 

Ao mesmo tempo em que me sinto 100% perdida em alguns dias dado tudo que aconteceu, me sinto livre também. Eu não tinha ideia (ou tinha e só negava até pra mim mesma) do quanto tudo já estava meio sem sentido há tanto tempo. E embora tenha doído demais o processo de descobrir, admitir e verbalizar tudo que eu vinha sentindo, ao mesmo tempo foi um dos maiores alívios que eu já senti. Ainda tenho dias e dias, ainda vejo alguns processos acontecendo, mas arrependimento ou culpa não passaram por aqui em nenhum momento. Nesse ponto, só consigo pensar que tem certas coisas que a gente tem que passar na vida mesmo e que elas tem sim um propósito na nossa história. Ando na minha fase mais cética da vida, mas tem coisas que são pra ser - assim como tem outras que não são. E tá tudo bem.

Dito isso, também é curioso notar como encerramento de ciclos às vezes abrem novos, mesmo que tão imprevisíveis e mais rápido do que esperamos. Ainda me choca quando paro pensar em como tem situações intensas que acontecem sem a gente perceber e do quão incrível e leve elas tem sido - o que é muito surpreendente dado todo o meu contexto. Ao mesmo tempo sigo deixando as expectativas baixas (sabendo que, na realidade, não estão nada baixas), focando muito em viver as coisas conforme elas acontecem e me permitindo a sentir o que eu tenho vontade. E tudo tem sido tão gostoso que eu só fico grata mesmo de como ao mesmo tempo onde a minha vida deu um virada de ponta cabeça, que surgiram coisas (e pessoas) maravilhosas por esse caminho também. 

Vamos ver o que o restante desse ano me aguarda. Mas de um jeito ou de outro, sei que tudo vai dar certo e que vou viver o que tiver que viver. Não é todo dia que me sinto assim, mas hoje só estou ansiosa pra ver o que vem por aí e quais serão as cenas dos próximos capítulos.


KT Tunstall @ Universe & U


As it was

É curioso como as coisas acontecem e só damos conta do que aconteceu algum tempo depois. Lembro quando eu tinha uns 16 anos (acho) e vi um filme, PS I Love You, e fiquei obcecada com a Irlanda. Cheguei a fazer várias projeções do quanto uma viagem custaria, por onde eu passaria, o que estudaria. Depois disso, fui até o quarto da minha mãe e falei rindo "só preciso de 10 mil reais pra poder ir pra Irlanda", nesse tempo minha mãe ainda era a minha mãe. Ela riu, rimos juntas e ficou por isso mesmo - óbvio, afinal de contas né.
Em 2017 enquanto planejava o roteiro da Eurotrip, pensei em incluir a Irlanda. Muito caro, muito contramão. Pensei "no futuro farei uma viagem para o Reino Unido e aí incluo a Irlanda, mais fácil". Pois bem, avançamos para 2021 e temos uma bela surpresa: Vim morar na Irlanda. Inesperadamente, sem planejamento nenhum, um simples acaso. Aquelas frases clichês do tipo "hoje você vive a vida que vc já sonhou um dia" nunca fizeram tanto sentido.
Eu sempre tive uma tendência em reclamar muito da vida, a ser uma pessoa dramática. E digo com propriedade que eu tenho razão pra isso em vários aspectos sim. Porém nem em 1 milhão de anos imaginaria as voltas que essa mesma vida daria e onde ela me levaria. Aos sonhos que já realizei, a tudo que já conquistei, batalhas que enfrentei e ainda enfrento. Internas, externas. Me choca olhar pra mim e ver onde eu cheguei. E pode ser 100% clichê, mas nesses momentos eu esboço um sorriso no rosto e sou grata por mim, pelos meus que lutaram por mim, por quem anda comigo. Significa que tudo está sendo perfeito, que o caminho foi florido e ensolarado? É claro que não. Mas sinto orgulho de conseguir conquistar tantas coisas, mesmo sabendo da parcela de privilégio que me cerca sim, mas não desmerecendo a trajetória que tive.

Me formei, migrei pra outra profissão com dor de deixar tantos planos e sonhos que tinha com o diploma. Mas que provavelmente foi uma das melhores escolhas que já fiz. Trabalhei por 3 anos em um dos lugares mais incríveis que alguém pode frequentar, com pessoas igualmente incríveis que tive a sorte de encontrar. Sorri, chorei, tive crises de ansiedade, mas fui muito feliz. Volto a olhar para as minhas conquistas - profissionais, pessoais, sociais - e sinto orgulho. Por muito tempo me coloquei num lugar onde não me julgava boa o suficiente pra outras pessoas, que não era capaz de alcançar grandes coisas. E hoje olhar e ver tudo que aconteceu nos últimos anos me deixa tranquila em saber que eu sou alguém incrível também e que eu achei pessoas que enxergam isso também.
Parece que a síndrome dos 30 anos chegou com força aqui (rs), ando bastante reflexiva com a vida. Com tudo que tem acontecido e que aconteceu nos últimos muitos anos. Em como me prendi em vários âmbitos, em como me limitei a caber em pequenos espaços que não eram pra ser meus. Mas que isso formou a pessoa que vos escreve hoje aqui, depois de anos. Ainda tenho sim meus problemas, ainda luto diariamente com problemas que não consigo resolver, ainda tenho dias que a ansiedade me consome. 

A idade também me trouxe ideias de responsabilidades que na realidade não são minhas (e a minha psicóloga que o diga). Ainda luto com todo o drama que a minha mãe trouxe e ainda trás pra minha vida, com a pessoa que ela escolheu se tornar e que eu não reconheço mais como a mãe que eu já tive (por mais problemática que essa relação tenha sido desde muito tempo atrás). Sexta passada na minha última terapia abri uma caixa que há muito tempo não abria, a caixa de 2017. E depois de abrir me toquei novamente do quão absurdo e inacreditável foi tudo que aconteceu naquele ano. E que embora já tenham se passado 5 anos, os reflexos de vários momentos daquele ano ainda estão aqui. Os problemas que ela criou ainda existem - com menos intensidade, porém existem. 
Isso me faz lembrar que a pessoa que eu era com 16 anos já queria algo diferente pra si mesma, já não queria fazer parte daquela convivência e sabia lá no fundo que um dia iria sair daquele contexto sim. E o resto é história. Hoje posso falar que construi minha família, onde nem todos são da mesma espécie, em que temos nossos defeitos, mas que é minha e que é grande parte da minha base.
Mas porque raios voltei a escrever aqui depois de tanto tempo? Não sei. Pode ser o efeito da minha primeira semana sabática, pode ser a falta de sono ou pode ser apenas um registro para a posterioridade de onde eu estava no dia de hoje. 

Harry Styles @ As It Was

A Message

Há muito tempo não tenho nenhuma vontade de escrever de maneira despretensiosa, porém hoje apareceu um surto de criatividade - ou necessidade, vai saber. O último texto foi em 2015 e tanta coisa mudou desde então... chega a bater um cansaço mental só de pensar. Lembrar de 2015 chega a doer um pouco. Foi um ano relativamente tranquilo, sem grandes turbulências. Já 2016 foi a definição de turbulência. Ano difícil, em vários aspectos, com várias pessoas. E quanto mais ao fim ele chegava, pior ficava. Eu, como uma boa Alice, sempre acho que o ano novo tem algum certo poder, que as coisas tendem a mudar pra melhor após ele. Doce engano... 2017 tem sido, definitivamente, o ano mais difícil da vida até então. Tive o pior inferno astral possível, as piores mudanças e o surgimento de um sentimento lindo chamado ansiedade. Logo no momento em que eu deveria ter mais tranquilidade, perto de terminar o ciclo importante que é a minha faculdade. No projeto que eu mais queria me dedicar e destacar, contudo é aquilo: a vida é sempre uma caixinha de surpresas. Tranquilidade foi o que eu não tive. Entre crises de ansiedade, noites mal dormidas, faltas em matérias/provas, atrasos em prazos importantes e muito choro, chega a ser impressionante o tamanho da força que a gente tira sabe-se lá de onde. Consegui entregar meu TFG, consegui respirar um pouco mais nesses últimos 2 meses e estamos levando a vida como dá. 

Penso que esse furacão de acontecimentos, pelo menos, serviu pra dar mais valor a certas coisas - e certas pessoas. Meu namorado chega a ser um santo de tanto que eu falei/falo dos meus problemas, de tantas barras (pesadas) que ele me ajudou a segurar nesse tempo e de todo suporte que tem dado. Não existem palavras no mundo que sejam suficientes para agradecer. E a Fernanda, a Beth e meu próprio pai, que conseguiram me tranquilizar de alguma forma nos piores momentos. 

Já escrevi aqui que eu às vezes me impressionava com o tamanho da minha força em certos momentos difíceis que já tive. Depois de 2016 e dessa metade de 2017 eu realmente mereço medalhas de honra por ela... Tiveram alguns dias que eu tive os piores pensamentos possíveis, as piores prospecções e os piores sentimentos, mas de alguma forma encontrei algo ou alguém pra me segurar, pra me ajudar a andar, pra continuar apesar de tudo. E a conseguir ver alguma luz no fim do túnel, pra constatar que a vida não para, mesmo que certas pessoas tentem parar por você. No fim das contas, por mais que a gente tente ajudar nos problemas alheios, por mais que a gente ame e se importe com as pessoas, quando isso interfere no seu próprio bem estar chega aquela hora em que sim, você tem que colocar um lado egoísta pra fora e priorizar o próprio bem estar. Eu ultrapassei um limite próprio por outra pessoa e acabei me deixando levar pro mesmo buraco que ela, sempre na tentativa de ajudar o próximo. Limites são importantes e eu aprendi que às vezes é vital respeita-los. Eu ultrapassei meu limite sim, mas aprendi a retroceder e me colocar em primeiro plano. 

Espero, desejo, rezo, oro pra que esse segundo semestre de 2017 seja mais tranquilo. Desejo que tudo encontre seu lugar certo, que as pessoas pensem mais no que causam na vida das outras, que exista mais empatia. E nesse momento você vê que tudo que parecia estar de cabeça pra baixo nada mais é do que uma nova perspectiva da vida. As coisas mudam, as pessoas mudam, os sentimentos mudam. Mudanças acontecem e, por mais que sejam difíceis, eu escolho continuar acreditando que elas são sempre pra melhor. Tudo está melhorando aos poucos e também aos poucos tudo começa a se encaixar de novo. É, 2017... você veio pra balançar a gente, mas nós já somos experientes em balançar junto, sem nunca deixar a peteca cair. 

A gente sempre aguenta.


Coldplay @ Adventure Of A Lifetime

Royals.

É, 2014... você foi um ano bem peculiar - se não o mais de todos os outros. Há tempos eu não tinha tantas mudanças grandes em apenas 365 dias. Daquelas que eu nem imaginava ter, na realidade. Acho que pra começar, não tem como ignorar a maior delas: os amigos. Lembro que aos 16 anos eu tinha mais amigos - ou me enganava achando isso - que muita gente. Físicos, virtuais, cósmicos, passageiros e duradouros. 2008 foi o ano que mais gente se amava, ia a praia junto e achava que tudo aquilo seria pra sempre. Minha vida amorosa simplesmente não existia e mesmo assim eu sofria por ela. Mas os amigos... ah, eu tinha bons, duradouros, problemáticos e eternos amigos. Hoje, com 22 anos - que não são grande coisa - me vem um sorriso irônico nos lábios quando lembro disso. Acharia injusto se escrevesse que ninguém valia a pena e que eu, na grande verdade da coisa, era uma idiota - apesar do último fato ser, oras, um fato. Não sei se as pessoas perderam seu valor, se nunca o tiveram, se eu parei de dar valor ou todas essas hipóteses juntas. Todavia, não pode-se negar que tudo mudou da água pro vinho (tinto). Perdi amizade de anos. Perdi amizade de meses. Perdi amizade de décadas. E, pela primeira vez, não sei se ganhei alguma em troca. Não daquelas amizades que você sente que é pra vida toda e que conta sua vida inteira todos os dias. Ganhei amigos e ponto. Tenho uma excelente dupla de projeto que me atura todos os dias e vice-versa. E pelo tamanho da nossa convivência, acho que poderia ser dito como amizade. Ganhei amizades de turma que nem imaginava que me tornaria próxima. Ganhei colegas, amigos do meu namorado. Entretanto, não foi uma equação balanceada. Perdi uma das minhas melhores amigas,  a qual acho que mesmo que voltemos um dia a ter contato, não será nem 10% do que era pela tamanha decepção que ela me causou - e que eu devo ter causado também. Enfim.
Contudo, 2014 não foi tão dramático assim. Meu namoro virou quase um casamento e isso não é nada ruim. Na verdade, virou meu porto seguro. Minha bóia salva-vidas. Meu anti-alérgico. Minha linha de horizonte e o motivo dos meus maiores sorrisos. Não vivo mais sem  - e nem quero viver sem. 
Minha faculdade entrou nos trilhos, "ralei pra caralho" pra isso (expressão apropriada, desculpem-me) durante o ano inteiro. Minhas notas melhoraram 200%, adiantei matérias, corri muito pra ir bem em todas. Chorei de desespero, por ser irresponsável em muitas situações, gritei de felicidade quando minhas notas saíram. Descobri que só vou atrasar 1 período se andar direito daqui pra frente, como nos últimos períodos. Ganhei o respeito de professores e me aproximei de outros. As chopadas alucinantes, as luzes e o brilho daquilo tudo se apagou um pouco... acho que os meus 22 anos estão mais com cara de 42. Minha cama e minhas séries nunca foram tão valiosas. 
Foi um ano tão estranho que nem sei mais o que dizer. Mas amadureci, como sempre. Endureci por dentro. Aprendi a dar valor a quem me da valor de volta. E fiquei cansada daquilo que sempre me cansou e que demorei muito pra largar. Seja pro bem ou pro mal, eu segui pra frente. Da minha vida. Deixando coisas pra trás (ou nem tanto) e puxando outras pro futuro. 

Vem, 2015. Seja o que tiver que ser. A gente sempre aguenta.

Arctic Monkeys @ Do I Wanna Know?

Don't panic.

2013 foi um ano todo de aprendizado. Pré-profissional, 'residencial', sentimental e mais uns outros milhões de aspectos. Muita pressão vinda de n + 1 lados, e você tendo que lidar com isso com a maior classe do mundo - e com alguns palavrões, está certo. Pessoas muito diferentes, com histórias singulares e universos (bem) paralelos, ficando muito próximas e se dando bem. Festas, fotos, álcool, música, trabalhos, grupos, diversão, estresse, liberdade, responsabilidade, fidelidade. Foi um ano tão intenso em tudo, que nem sem definir com qualquer exatidão. Mesmo assim, não consigo desgostar dele. Então, obrigada 2013 e que venha 2014, sabe-se lá com que surpresas. Que seja tranquilo (...).

Bruno Mars @ Treasure.

Password C657.

Dias frios, dias quentes. Com vento, sem vento. O mormaço do tempo vai se dissipando com a despedida do Outono e as boas vindas do Inverno. Pedalo em minha bicicleta, balançando os livros que estão dentro da cesta. Balançando a garrafa de vinho e as frutas. 16:30h, o lago ainda está banhado de sol - aguardando. Só me vem na memória Corinne Bailey Rae no (quase) clássico clipe de Put Your Records On, numa dança de verão sob duas rodas pedalantes. Isso não vem ao caso, voltarei ao ponto. Ah sim, o vinho. Tinto, por gentileza. Uma toalha florida estendida na grama, presa pela bicicleta jogada e pelas minhas alpargatas descalças. Meu vestido tenta voar com o vento, melhor sentar logo. Fito o lago, me perdendo da realidade, voando em pensamentos distantes. Encho uma única taça de vinho - enquanto gostaria de encher outra além da minha. Sinto o aroma que exala da solução de uvas e álcool, suave. A brisa acariciando meu rosto, fios rebeldes de cabelo voando sem rumo, vestido amarelo esvoaçante. Mordo uma maçã, abro o livro envelhecido em uma orelha e coloco meu óculos. O sol lentamente vai tocando a água do lago, evaporando. O vinho desaparece gradativamente da taça, uma gota mancha o vestido amarelo. Olho o celular, caixa vazia. Cabeça vazia. Coração esvaziando - equiparado a garrafa de uvas alcoolizadas. Os meses correm, uma taça enche e esvazia, enquanto outra mantem-se vazia. Vão, voam, voltam. 
E o vestido amarelo mantém a sua gota. 
Annie. 

Sarah Brightman @ Deliver Me. 

Superunknown


Tudo girando, como se fosse pra sempre. Unhas afiadas perfurando a palma de suas mãos. E eu corro. Corro até os meus pulmões implorarem por oxigênio. A paciência já não me pertence mais - não mesmo. E mesmo quando não estou correndo, o ar me falta. (...) 
Se eu fosse um pouco mais psicótica, certamente teria matado alguém - de verdade - nos últimos dias. Não lembro quando meu nível de estresse esteve tão alto quanto ultimamente. Na realidade, acho que nunca me senti assim. Presa. Quase com uma corrente no pescoço. Logo eu, que sempre fui tão dona de mim. Só consigo definir com a sensação de estar sufocando, lentamente. Todavia, ao mesmo tempo, espero por outras coisas favoráveis. Ventos refrescantes. E digamos que está mais do que na hora deles darem o ar da graça. Graça esta que anda atrasada. Tudo bem, eu espero. Continuo tendo fé em tudo - e em mim. 

Permaneço navegando em águas desconhecidas, rumo ao inesperado. Tenho sede, meus braços estão doloridos. Contudo, remo sem descansar. A terra já foi avistada (continue remando). Ouço pássaros cantando (continue remando). Vestígios humanos na água (continue remando).

A terra se aproxima.
E eu continuo remando.

The Temper Trap @ Trembling Hands.

La noyée.

Finalmente Junho. Meu mês mais esperado de 2012, sem dúvida alguma. Tenho tido vontade de escrever, porém a inspiração foge de mim. Esse ano tem corrido mais que qualquer outro, parece que foi ontem que dezembro ainda pairava aqui em cima. Passaram os aniversários, passaram os dias de calor infernal (ou não) e passaram os esporádicos flertes. Minhas séries preferidas entraram em recesso e uma delas acabou. Assisti a shows maravilhosos, um deles com a experiência mais complexamente fantástica que já tive. Semana que vem é o dia dos namorados - e eu já consegui comprar metade de um presente. Os dias andam calmos, em maré baixa e mesmo assim existem aquelas horas que fico sem ar. A rapidez de tudo me assusta. De tudo. Enquanto eu fico num universo paralelo, continuo longe. Às vezes fico pensando o quão presa sou em 2010, no padrão daquele ano. E seria hipócrita se negasse que, de vez em quando, me perco nas minhas lembranças. Só minhas (ou talvez não). Apesar dessa nostalgia, finalmente o aprendizado de valorizar o presente têm acontecido. Tudo tem ido com a calma que eu queria, com o controle que eu queria. (...)
Contudo, o melhor ainda está por vir. Junho chegou e com ele espero que cheguem mais coisas boas. E tenho muita fé que chegarão. Toda calmaria tem suas ondas. E são delas que eu sempre gostei, afinal.

Nelly Furtado @ Try

Password 608.

Sol quente, água fresca, olhos semi abertos. Meus pés tocam a superfície translúcida e azul. Levanto e mergulho na piscina - em um surto de coragem. Lá embaixo, batendo as pernas, sinto-me leve. Perdida em pensamentos embolorados e cafés à deriva. Volto para o mundo ensolarado, com a cabeça fora d'água. Flutuo, fecho meus olhos castanhos e retorno a outros dias quentes. Amarelos. Ou seriam pincelados de verde? Coloridos, sem dúvida alguma. Com bambus, pedras e Amélie Poulain. Continuo flutuando. Onze e meia da manhã, sinto minha pele branca queimando - como de costume. Nado até a escada, subo e agarro minha toalha azul. Um novo oftalmologista me aguarda em 1 hora em seu impecável consultório desconhecido. Subo os lances de escada com o cabelo pingando, entro em casa. Para a minha surpresa, torradas amanteigadas estão na sala, me recebendo ainda quentes. Percebo a falta de um pedaço numa delas, quando vejo um bilhete repousando ao lado. "As que você gosta após mergulhar. Voltei, An." Um breve sorriso surge em meu rosto, mordo a torrada mutilada e falo para o nada: Seja bem vindo.

Annie

Dido @ Here With Me

Express.

Primeiramente, não tive oportunidade de me despedir de 2011. Um dos anos mais tranquilos que já tive, se não o mais. Que foi justamente a única coisa que pedi na virada dele. Já agradeci muito por tal tranquilidade (excluindo alguns incidentes, mas nada é perfeito), volto a agradecer aqui. Era um bem necessário, dadas as últimas turbulências. Embora eu sempre tenha sido adepta da calmaria, da ausência de grandes eventos, confesso que senti falta de algumas - poucas - emoções que sempre tive. Afinal, minha vida é ou não é uma novela mexicana (como já bem dizia o Gabe)? Mesmo assim, tive o final de ano mais tranquilo de todos os tempos. Com uma virada de ano péssima. Sem graça. Nada de Tamborindeguy, uma lástima. Tudo bem, that's life.

2012. Não sei o que esperar desse ano, sinceramente. Após aquela esperança suprema no começo de 2010, parei de especular excessivamente. Continuo com a maré baixa, entretanto, aceito algumas ondas. É saudável. Esse ano começou realizando uma vontade. Tal acontecimento me fez clarear a cabeça, ver que não mudou quase nada - pra mim. O que é surpreendente, pois sempre muda. O que me faz refletir que não reonheço essa pessoa inerte que estou representando. Embora, ao mesmo tempo, tenho pensado nisso insistentemente. Sonhado também, quem diria. E só essas pequenas atitudes inconscientes tem me deixado com um sorriso nos lábios. Tenho me sentido bem assim.

Em meio a pressão psicológica vinda de diversos pontos, mantenho-me calma. Sem pânico. Sem desespero antes da hora. Enquanto houver aquele 1% de chance, minhas esperanças estarão ativas e de pé. Sempre desafiei a vida assim, não mudaria logo agora. Esse ano tem tudo pra ser bom, vamos lá suar pra que tudo dê certo. Contando com muita ajuda também, é claro. Porque como já dizia o mestre Jobim "É impossível ser feliz sozinho". E como a solidão nunca pertenceu a mim, deixo as honras pra quem a tem.

Sem mais rodeios, seja bem vindo 2012.


George Harrison @ Got My Mind Set On You

In the sun.

Esse mês de Novembro me deu muitas coisas pra pensar. Algumas que eu já havia começado a pensar há meses atrás, mas que tomaram uma forma mais definida agora. E outras que tropecei por esses caminhos tortos da vida. Desde que eu virei as costas e sai andando, só uma palavra ressoa delicadamente em minha mente: 'Imbecil. Sou uma imbecil.'. (...)

Irônica
é essa minha vida, não existe frase mais apropriada. Você pede em pensamento que algum sinal divino seja enviado, para saber se pode ou não fazer algo. E por fim não ganhas um sinal. Você ganha fogos de artifício. Nessa hora aquela peculiar vontade de ser um avestruz e enfiar a cabeça na terra é quase que predominante - risos. Isso tudo tem sido quase um terremoto. Pra uma pessoa que tornou-se algo tão frio e rígido feito um iceberg, essa situação tem sido uma prova de fogo. Que vem derretendo as camadas superficiais, assim expondo cada vez mais o interior. A consequência óbvia disso é que tudo aquilo que eu optei por esconder, devido ao instinto de autopreservação, vai se esvaindo de minhas mãos, lenta e gradativamente. Meus nervos ficam a flor da pele, por não saber como lidar com essa exposição - ainda.
A minha tendência é sempre de ter medo, de hesitar ao máximo. Você ganha tantas bofetadas seguidas da vida, que uma hora isso acaba acontecendo obrigatoriamente. Venho tentando retroceder essa era glacial de mim mesma há vários meses. E - acho que - agora isso é quase uma prioridade, devido as circunstâncias à mim apresentadas.

Novembro vai se encaminhando para o seu desfecho, dando lugar ao mês de Dezembro. Entre árvores de natal, chesters, pisca-piscas e presentes, existe aquela áurea mágica que envolve até os mais desacreditados dessa época, como eu. Que tal mágica sirva de algo, nem que seja só para alguma tranquilidade forjada. O verão também se aproxima, trazendo consigo aquele calor excessivo (from hell). Que esse iceberg derreta. E que eu possa retomar o meu lugar de direito.

Norah Jones @ Don't Know Why

Password 156.

Vento. Frio. Pressa. Aperto a bolsa contra o peito, como se isso trouxesse algum tipo de conforto. Meus passos ganham velocidade, ouço meu belo par de botas chocando-se frequentemente em obstáculos na calçada. Tropeço, quase caio. Só quero cruzar a porta do meu apartamento. Porém, por mais que eu me esforce, não consigo prestar atenção no caminho. Tropeço mais uma vez. Olhando para os meus desajeitados passos no chão, reparo que consegui chegar viva na entrada do prédio. "Aonde estão essas malditas chaves?" - bravejo em pensamento, enquanto ouço trovoadas anunciando uma chuva já prevista. Entro em casa, tranco a porta, jogo as chaves na mesa de entrada. Solto a bolsa ao pé do sofá e solto meu próprio corpo na minha adorável poltrona azul turquesa. Fecho meus olhos lentamente. Mentalmente, tento me convencer de que tudo irá melhorar. Afinal, Agosto e o seu típico inferno astral finalmente chegaram ao fim. Espero que o final deste cansativo ano seja tranquilo. Levanto-me, descalço as botas, vou até a janela e sento em seu parapeito. Assisto o espetáculo de dança que os pingos de chuva proporcionam. Cada um com a sua própria coreografia. Volto aos meus pensamentos. Começo a refletir como a vida tem sido irônica. Da turbulência de acontecimentos que ainda pairam no ar. Sinto falta dos dias calmos e das brisas felizes. Das cores que todos aqueles sentimentos me faziam enxergar. Falta dos aromas, dos sabores. Do conforto, e até das insanas preocupações. Hoje tenho lutado para simplesmente continuar a sonhar. Ter planos. Traçar metas. Voltar a ser vívida. Interrompendo meus devaneios, meu celular avisa o recebimento de uma nova mensagem. Estico o braço e quase caio, tentando alcançar a bolsa. Pego o celular e, assim que vejo o remetente, abro um sorriso. Antes mesmo de ler já imaginava qual era o conteúdo. Passo os olhos pelas letras - ouço cada sílaba - e confirmo minha afirmativa: "Você me orgulha". Alastro ainda mais o sorriso e respondo singelamente: "Não sou de todo mal, viu? haha". Vou até a cozinha e preparo o meu - já tradicional - café com gotas de menta. Levo minha xícara até a janela e aninho-me novamente em seu parapeito. Ali compreendi a certeza que já se alastrara por todo o meu corpo e mente: Tudo ficará bem. Agosto já se foi.

A chuva continuava a cair. O café lentamente chegava ao fim.

Annie.

Jem @ Maybe I'm Amazed.

Rehab.

Eu não escrevo desde Abril. E poderia dizer que estou sem tempo. Que tenho tido muitas coisas para fazer. Para resolver. Para pensar. Para refletir. Para decidir. Não. Nunca estive tão desanimada para escrever, na realidade. Desanimada? Que dramático. Acho que é só um simples 'estou sem vontade' e ponto. E penso que não é só no campo da escrita que isso vem ocorrendo... Cheguei no mês de Agosto e a famosa síndrome agostina tomou conta de tudo. Tenho estado mais confusa que o normal. Com uma tpm que quase me mata. Por outro lado, vi que me fechei pro mundo inteiro. E dessa vez foi pra valer. Mas abri os olhos, consegui entender que EU não posso ser assim - apesar de ter me dado muito bem com esse lado. E desde o começo do capítulo anterior eu sabia que isso aconteceria. Sabia que surgiriam consequências, como sempre. (...)

Há um tempo atrás tive experiências um tanto diferentes (e quem diria que eu acharia isso). Diferentes no sentido "500 days of Summer", na parte de Realidade x Expectativas. E depois parei pra pensar que, talvez, o erro tenha sido meu. Ou melhor dizendo, não houve erro. Porque não houve tentativa. Não deixei brechas - apesar de ter pensado em deixa-las. Depois cheguei em casa, com a bolsa jogada no ombro, sentindo como se tivesse perdido uma guerra. Enquanto que nem a guerra chegou a existir. Entrei no elevador, fechei os olhos e só tive vontade de bater a cabeça na parede. Como eu pude ser tão estúpida? Coloquei meu pijama, escovei meus dentes, lavei meu rosto e me afoguei entre as aconchegantes cobertas da minha cama. Eu queria esquecer. Obviamente uma vontade leviana, se tratando de mim. Até o dia de hoje, ocasionalmente, tenho alguns sonhos. "Sonhos manipulados". De como poderia ter sido se eu tivesse dado brechas - se houvesse 15% à mais de coragem por parte alheia.
Em outros tempos, eu certamente já estaria suspirando pelos cantos. O bom de ter levado 'tapas na cara' é o prêmio: Ter menos apego para com as pessoas. Nada passou de um interesse. E que foi benéfico em diversos sentidos. Tais como voltar a sonhar - e lembrar dos sonhos. E também, como eu havia começado a escrever, abrir os olhos para quem eu estava me tornando. As pessoas frias se machucam menos, sem dúvidas. Mas não consigo ver uma gota de felicidade exalando delas. Sim, nos últimos tempos me machuquei mais do que deveria. Mas nesses últimos 7 meses que eu tenho ficado extremamente distante de tudo, sinto-me como um iceberg. Inanimado. Que não se comove com nada - nem com ninguém. Nunca me senti tão distante de tudo. Pessoas, objetivos, sonhos. E também nunca me vi tão impaciente. Quase com uma tpm constante. E se eu - que sou eu - não tenho me suportado desse jeito, não fico surpresa com o que as pessoas devem estar sentindo/pensando com relação a mim. Tenho ciência do meu 'descaso', até mesmo com os meus amigos mais próximos. E claramente isso não tem sido bom. Nesse ponto, olho para trás. E vejo que nada justifica essas atitudes recentes. Justamente com as pessoas que mais me deram força, sabe? Sempre dei valor as minhas (poucas) amizades. Gosto de solidão, mas tudo tem um limite. Não pretendo morrer sozinha numa casa, trancada com 17 gatos - risos.

Agora entra em ação o projeto 'Back to black' ou a 'Rehab' (Muitas homenagens a minha querida Amy, que virou a cantora preferida de metade de mundo. Por isso detesto que essas pessoas morram... os antigos admiradores ficam comparados aos novos que conhecem 2 músicas e dizem que a amam.). Voltar para as minhas origens. Ter simpatia, carinho, demonstrar importância, bom humor e etc. "Demolir a muralha". E manter somente uma singela cerca. Continuar com a evolução de não me aproximar de ninguém sem testes prévios, mas deixar os caminhos abertos. E presumo que a vida vá melhorando aos poucos. Que, principalmente, eu vá melhorando aos poucos. Assim dando início a mais um capítulo.

Tears For Fears @ The Working Hour.